Vou falar no tema que no meu entender suscita mais dúvidas, questões e opiniões de todos os tempos. A Religião. Assumo que sofro provavelmente de cepticismo agudo e, por isso, espero não ferir nenhum crente com as minhas palavras, são apenas opiniões, e como é óbvio subjectivas. Ninguém pode negar ou afirmar a existência de Deus. Afirmar ou negar a existência de Deus é uma falácia, de seu nome de apelo à ignorância. Se nunca vi Deus não posso usar isso como justificação para a sua não existência, tal como o facto de nunca o ter visto ser utilizado como justificação para a sua existência. Não critico nem repugno nenhum crente, seja ele cristão, judeu, budista, islamita ou crente em qualquer outra religião. Nas pequenas discussões que tive com amigos ou conhecidos que defendiam a existência de Deus, a Fé era sempre a rainha do seu amor pela religião. Fé, esta palavra que deriva do latim fides que significava fidelidade representa, no nosso dicionário, “firme opinião de que algo é verdade, sem qualquer tipo de prova ou critério objectivo de verificação, pela absoluta confiança que depositamos nesta ideia ou fonte de transmissão” e independente de acreditar ou não aprecio a atitude de todos os crentes. Em tempos Deus justificava tudo. Quando apareciam tempestades ou más condições climatéricas era um castigo de Deus, quando haviam grandes períodos de longuíssimas secas era castigo de Deus, quando o clima tinha uma atitude positiva connosco era benção de Deus. Penso que não vale a pena justificar estas pequenas teses porque hoje em dia são poucos os que acreditam nelas. Percebo que em tempos que a tecnologia não era o que é hoje, Deus fosse a base de todos os bens e males que eram assoprados ao nosso mundo, contudo praticamente tudo está justificado e descoberto, como a teoria Geocêntrica que foi refutada, contra a opinião da Igreja. Portanto a existência ou a ausência de um Deus não me afecta nem me fascina. O que desperta o pequeno bichinho no meu estômago é a definição de Fé. O que é realmente a Fé? Será que é mesmo necessário associar a palavra Fé a alguma Religião? Até certo ponto acredito numa pontinha da existência desse tal sentimento, que ninguém pode negar. Está presente no nosso dia-a-dia. Quando eu acredito que o meu clube vai ser campeão mostro fé. Não posso prever o futuro e, de certeza, jogos difíceis vão acontecer mas eu acredito piamente que o meu clube tem capacidades para ultrapassar tudo isso. Este é o exemplo mais simples de fé. Enquanto que eu peço (não sei bem a quem) pelo sucesso do meu clube as religiões atribuem nomes a esse Alguém que eu peço ajuda, a esse Alguém que eu acredito, a única diferença é que eu não tenho uma imagem construída sobre ele, quando peço não me imagino a conversar com um homem de barbas longas e castanhas que de braços abertos que ouve os meus pedidos, e tudo isto por trás tem uma história romântica que prende os crentes mais desatentos que não encontram erros nas escrituras (que muitas vezes nem as sabem).
Custa-me acreditar que exista Alguém que lá no topo olha por nós, aliás não acredito mesmo. De facto não existe justificação para o mundo perfeito onde vivemos, todos os seres são perfeitos, as tartarugas por serem lentas mas têm carapaças mais resistentes que as protegem os outros perigos, os elefantes são tão grandes mas têm uma tromba que lhes permite chegar à água, o nosso corpo humano é perfeito são raras as coisas que temos a mais, perfeito de mais até, mas não atribuo isso a um Deus, a um Alguém superior que tornou tudo isto possível…
Não acredito em religiões e para mim a melhor prova que tudo isso é (desculpem o termo) “desnecessário” é que todos os valores que elas nos ensinam (eu concordo com todos e acho-os bastante importantes) nem sempre são cumpridos. “Ama o próximo” e depois há guerras entre religiões pois supostamente a minha é melhor que a tua? Aprecio os seus valores e ideais mas acho que as Religiões em si não são necessárias.
Acredito numa energia abstrata e transparente que nos prende e testa diariamente, o que é? Não sei...
E você? Acredita em alguma religião? O que pensa sobre isto?

Há dois pontos importantes a incluir nesta interessante reflexão.
ResponderExcluirO primeiro é um conjunto de perguntas: "Porquê e para quê surgiram as religiões?" "De onde vêm? Quais as suas origens?" As respostas a estas questões poderão ajudar a gerar numa nova perspectiva.
O segundo está relacionado com uma ideia, opinião, juízo ou crença, se quiseres. O problema não está nas religiões em si. Se investires tempo para as conheceres mais e melhor, todas têm ideais nobres e que estão normalmente relacionados com o respeito. Respeito pelo outro, pela natureza, pelo mundo... O problema das religiões não está nas ideias e ideais que defende. O problema está no Homem, na utilização que fez, tem feito e continuará a fazer delas.
Há um livro muito recente de um filósofo contemporâneo que tem uma abordagem muito interessante sobre o tema chamado "Religion for Atheists" - http://www.alaindebotton.com/
Aqui um video do mesmo autor onde conta um pouco a ideia do filme: http://www.ted.com/talks/alain_de_botton_atheism_2_0.html
Continua a pensar e a escrever. É a escrever que as ideias tomam corpo.
Começo par agrader-te pelo tempo que perdeste a ler e a responder à minha reflexão(zinha). A tua opinião é para mim bastante importante. Sim houve perguntas que ficaram por responder, se bem que mandei alguns tiros para o ar de podiam dar pequenas respostas a uma ou outra dessas perguntas penso eu. Concordo plenamente contigo quando dizes "O problema das religiões não está nas ideias e ideais que defende. O problema está no Homem, na utilização que fez, tem feito e continuará a fazer delas." acho que foram as palavras certas que me faltaram. Penso que, resumindo, as religiões são como que "planos de treino" que nós inventámos para tentarmos com mais facilidade praticar o bem. Eu, como já se percebeu, não sou crente, e acho que grande parte dos ideais que as religiões defendem eu pratico. Especialmente o respeito pelos outros, pela natureza etc.
ExcluirJá estive a ver o video e gostei bastante, mas como o inglês não é o mais forte tenho que revê-lo com calma para perceber promenorizadamente tudo o que ele diz.
Acho que me falta ainda bastante vocabulário não achas?
Mais uma vez obrigado e até segunda! Abraço!
Permite-me a espontaneidade de vir aqui responder a este teu pensamento. E dizer que concordo em certa parte, com ele.
ResponderExcluirE quanto à pergunta que deixaste no ar, sobre as religiões, sou muito pouco receptiva. E a "principal", o Cristianismo, nos últimos (e largos) tempos não tem sido nada mais, nada menos do que um esquema para ganhar dinheiro. Pessoalmente, acho um erro enorme uma prática muito comum: baptizar as crianças em pequenas. Em vez de lhes dar a hipótese de escolher. Não entendo essa necessidade de limitar as escolhas. E sobre a fé, assunto referido no teu texto, acho que está por aí. Algures, basta que acreditemos nela. Não precisa de uma casa, nem de uma igreja, nem de um deus. Mas as pessoas complicam, querem sempre dar nome e líderes a tudo, e inventar histórias e delas escrever livros que servirão de guia às gerações seguintes (a Bíblia).
Ah, deixo por aqui outro reparo. Desta vez, prende-se com o "Quem sou eu" que está ali mais acima. Acho que também me identifico um pouco com isso, dou por mim a escrever para o blog, sabendo que nenhum dos meus amigos tem o mínimo de interesse em lê-lo. Sabendo que quase ninguém da minha idade pensa como eu. Que estão mais preocupados com qualquer outra coisa, mais fútil e menos interessante, para se darem ao trabalho de olhar em volta e dar a sua opinião sobre os assuntos que os rodeiam.
Dito isto, gostei muito de algumas opiniões que tens aqui, mas isto é só a minha opinião, que vale o que vale
A tua opinião vale como é obvio. Que entrem mais como tu pela nossa escola dentro!
ExcluirConcordo com o que dizes, mas acho que a intensidade podia ser um pouco mais suave... Vamos ver se me faço perceber. Eu também acho que as igrejas e todas as religiões no geral não passam de "planos de treino" como já disse, e já tive uma fase (que acho que é onde estás agora) que me fazia um formigueiro na barriga a existência das mesmas. Atualmente já vejo tudo isto de outra forma. Os ideias da igreja/mesquita (o que quiseres) estão certas, o erro está em nós, homens que não sabemos utiliza-las. O primeiro ponto que me salta à cabeça são as chamadas "Guerras Santas" ou o busca dos Cruzados à muitos séculos atrás por pregar a fé cristã que só resultava em sangue. Então mas não deveriamos amar o próximo? Hoje penso que não há qualquer mal na sua existência, se nós cremos nelas e se elas nos ajudam a praticar o bem porque extingui-las? Só tenho pena que a grande maioria dos crentes só sigam os mandamentos para no fim ir para o "céu" e não por querer próprio. Quanto ao baptismo também já pensei como tu... Eu sou baptizado pela igreja cristã, e como se vê estou longe de acerditar nos seus mandamentos. Contudo isso não me incomoda. Acho que não vou fazer parte de nenhuma religião e se queres que te diga, se por algum motivo no futuro a minha mulher me pedisse para casar pela igreja aceitaria sem problemas, apesar de não acreditar nela.
Nunca te sintas só. Eu tenho a sorte de ter amigos bastante chegados que pensam como eu e acho que é graças a eles que agora não estou a por mais fotos no Facebook e estou aqui a escrever para ti. Por isso, não tenhas problemas na forma como pensas e se achas que a deves expor expõe! Já me dizia um amigo meu "É a escrever que as ideias tomam corpo"!
Obrigado pela tua visita, todas as opiniões contribuem para a melhoria da minha cultura por isso sempre que quiseres escrever alguma coisa escreve!
Excelente texto bons comentarios continua a postar no blog*
ResponderExcluirObrigado e continuarei sem dúvidas! Gostava era de saber o seu nome :) mas pronto são opções. De qualquer das formas mais uma vez muito obrigado :)
ExcluirEra eu mas nao tinha blogue e nao cheguei a ver este comentario!(tambem nao sou a favor de religioes )*
ExcluirAconcelho-te vivamente: Conversas Com Deus Livro 1 - Neale Donald Walsch
Quando Nietzche Chorou - Irvin D.Yalom